cotações de Comodities

Cotação do dollar

GOIÁS PRODUÇÃO DE TOMATE

GOIÁS MANTÉM A LIDERANÇA NACIONAL NA PRODUÇÃO DE TOMATE, MAS ESTIMATIVA PARA 2026 APONTA REDUÇÃO DE VOLUME

Estado tem previsão de 1,34 milhão de toneladas, enquanto Silvânia se destaca entre os municípios produtores e a indústria amplia o alcance dos derivados.
Cultivo de tomate em Goiás, estado que mantém a liderança nacional na produção da hortaliça, segundo as estimativas do IBGE para 2026. Foto: Urbana Caipira

Goiás deve continuar na liderança nacional da produção de tomate em 2026, mesmo com uma redução no volume esperado para o ano. A estimativa de setembro do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta 1,34 milhão de toneladas, cultivadas em 14,6 mil hectares, com rendimento médio de 92,1 toneladas por hectare. Os números mantêm o estado em posição de destaque na tomaticultura brasileira, atividade que abastece tanto o mercado de alimentos frescos quanto a indústria de processamento.

A previsão, porém, indica uma desaceleração depois de dois anos de produção elevada. Goiás colheu 1,46 milhão de toneladas em 2024 e alcançou 1,65 milhão em 2025, segundo os dados apresentados pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). Na comparação com 2025, o volume projetado para 2026 representa uma queda próxima de 19%. Ainda assim, o estado permanece à frente dos demais produtores nacionais. O movimento acompanha a estimativa brasileira, que passou de 4,75 milhões para 4,37 milhões de toneladas.

Silvânia ganha espaço entre os polos produtores

Os dados municipais ajudam a compreender como a produção está distribuída pelo território goiano. Conforme a Produção Agrícola Municipal (PAM) de 2025, do IBGE, Silvânia assumiu a primeira posição entre os municípios produtores de tomate em Goiás, com 361 mil toneladas. O volume representa crescimento de 77,3% em relação ao ano anterior.

Cristalina, que ocupava a liderança municipal em 2024, aparece na segunda posição, com 277,5 mil toneladas. Morrinhos vem em seguida, com 193 mil toneladas. Juntos, os três municípios responderam por pouco mais da metade da produção estadual, segundo os números apresentados no material da Seapa.

A concentração mostra a importância desses polos para o abastecimento da cadeia produtiva. A produção agrícola depende de condições locais de cultivo e de uma estrutura capaz de encaminhar o tomate aos seus diferentes destinos, entre eles o consumo in natura e o processamento industrial. Os dados disponíveis, entretanto, não permitem atribuir a mudança no ranking municipal a uma causa específica.

Indústria amplia o alcance da cadeia

Além do volume colhido, o processamento industrial é uma das características da tomaticultura goiana. O tomate pode ser transformado em sucos, molhos, ketchup e outros derivados, ampliando suas possibilidades de comercialização para além do fruto fresco.

Segundo os números reunidos pela Seapa, Goiás exportou, em 2025, 1,2 mil toneladas de derivados de tomate, com receita de US$ 969,1 mil. O suco de tomate respondeu por 70,1% do valor exportado, enquanto ketchup e molhos representaram os outros 29,9%.

Esse perfil evidencia a participação da indústria no aproveitamento da produção agrícola e na inserção do estado no comércio exterior. Os números, contudo, se referem aos produtos derivados do tomate, e não devem ser confundidos com exportações de tomate fresco.

Produção e renda no campo

O secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ademar Leal, destaca a contribuição da atividade para a economia goiana. “Além do volume produzido, o cultivo voltado à indústria movimenta diferentes etapas da atividade agropecuária e contribui para a economia goiana. É o trabalho dos produtores que mantém Goiás à frente da produção de tomate no país”, afirma.

O peso econômico da cultura também aparece nos indicadores de valor da produção. O material encaminhado pela Seapa informa que o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do tomate em Goiás alcançou R$ 8,5 bilhões em 2025, equivalente a 40,8% do valor nacional do produto. Esse número exige confirmação adicional quanto à série estatística e à metodologia utilizadas antes de ser comparado a outros indicadores de valor da produção.

Para o secretário, a presença dos derivados no mercado externo amplia o alcance da atividade. “A distribuição da produção pelo território e a presença dos derivados no mercado externo ampliam o alcance da cadeia. O tomate gera renda em várias regiões de Goiás e chega a outros países por meio da indústria. Nosso papel é acompanhar esse desempenho e apoiar o produtor para que o estado siga como referência na cultura”, completa.

A perspectiva para 2026 combina, portanto, dois movimentos: uma redução no volume projetado em relação às safras anteriores e a manutenção da liderança nacional. A evolução da produção ao longo do ano e a consolidação dos dados oficiais permitirão avaliar o resultado definitivo da safra e seus reflexos sobre os diferentes elos da cadeia do tomate em Goiás.

Deixe um comentário

ARTIGOS RELACIONADOS