A produção brasileira de algodão para a safra 2024/25 foi reestimada para 3,85 milhões de toneladas de pluma, de acordo com novo relatório da StoneX, consultoria especializada em inteligência de mercado agrícola. A atualização representa uma redução de 0,7% em relação à projeção de maio, e tem como principal motivador a deterioração nas condições das lavouras da Bahia, estado que historicamente figura entre os maiores produtores do país.
Segundo o analista Raphael Bulascoschi, da equipe de inteligência de mercado da StoneX, o cenário climático adverso nos meses decisivos da safra comprometeu o rendimento das lavouras baianas. Em abril, a consultoria já alertava para um comportamento climático atípico no estado, marcado por um período seco em março, seguido de chuvas no início da colheita, combinação que impactou negativamente o desenvolvimento das plantas.
“O clima mais úmido nas vésperas da colheita trouxe uma sensibilidade maior no terço inferior dos algodoeiros de algumas regiões, gerando queda de capulhos em alguns casos. Com esse cenário adverso, a produtividade média no estado baiano será de 1,77 tonelada por hectare, um dos menores valores dos últimos anos”, afirma Bulascoschi.
Em contraste com a situação observada na Bahia, o estado do Mato Grosso, maior produtor nacional da fibra, apresentou desenvolvimento vegetativo considerado positivo. As lavouras foram beneficiadas por chuvas em períodos tipicamente secos, o que favoreceu o crescimento da cultura de segunda safra. No entanto, a continuidade das chuvas em junho acende um alerta quanto à qualidade da fibra e ao ritmo da colheita, podendo trazer implicações ainda não mensuradas com precisão.
“Por esse motivo, as estimativas de produtividade não foram revisadas no estado. Ainda é necessário aguardar o avanço da colheita para avaliar com mais precisão os níveis produtivos”, observa Bulascoschi.
Exportações seguem estáveis, mas mercado interno desacelera
Apesar da leve revisão na estimativa de produção, a projeção de exportações permanece inalterada, com embarques de 2,9 milhões de toneladas de algodão ao longo de 2024. A expectativa é que o segundo semestre concentre o maior volume, com a intensificação da entrada da nova safra no mercado.
No entanto, o cenário internacional impõe desafios. A demanda global segue enfraquecida, e a recente valorização do real frente ao dólar afeta diretamente a competitividade da pluma brasileira nos mercados importadores.
“O câmbio mais valorizado prejudica a atratividade do algodão nacional no exterior, e esse é um fator que deve continuar sendo monitorado ao longo do ano”, pontua o analista da StoneX.
No mercado interno, o movimento é ainda mais sensível. A consultoria revisou para baixo o consumo doméstico, que agora é estimado em 700 mil toneladas. Segundo Bulascoschi, a demanda interna segue lenta e o setor enfrenta dificuldades para absorver o volume produzido.
“O mercado tem tido dificuldade de absorver a pluma, e a demanda segue lenta no mercado doméstico. A indústria está mais cautelosa diante do cenário macroeconômico”, explica.
Com esse novo panorama, produção menor, exportações mantidas e consumo interno em queda, os estoques finais de algodão devem permanecer relativamente estáveis, estimados em 2,7 milhões de toneladas ao final do ciclo.